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Newsletter #8
Maio 2017
Bioenergética da Actividade Física: do Adulto ao Idoso


Ao longo do ciclo de vida, a bioenergética do corpo humano vai sofrendo mutações e há uma equipa de investigadores do CIDESD a tentar descodificar esse processo. «A forma como o organismo pode adquirir ‘energia’, convertê-la, armazena-la e utilizá-la é a chave para compreender o funcionamento orgânico, tanto na realização das actividades de vida diária, como nos desportos de rendimento ou nas actividades de recreação e lazer», refere o investigador Francisco Saavedra.

“Bioenergética da Actividade Física: do Adulto ao Idoso” é a investigação que procura descrever respostas ao esforço e identificar perfis de aptidão física desde a fase adulta até à 3ª idade, investigando ainda potenciais correlações entre esses perfis e indicadores de saúde. «As características do esforço físico em adultos e os métodos de treino mais eficazes nesta população estão bem estudados, mas pouco se sabe acerca dos idosos. Por isso, para se definirem as cargas de exercício físico mais adequadas, importa compreender como se altera a bioenergética do corpo humano em esforço desde a idade adulta até à 3ª idade, em populações saudáveis e com patologias», explica.

Em populações saudáveis, verifica-se uma diminuição da taxa metabólica basal e da taxa metabólica em esforço. Esta última está directamente relacionada com o grau de actividade física, logo, se o sujeito for fisicamente activo, poderá manter ou atenuar a perda na taxa metabólica em esforço.


Com o avançar da idade, tende também a diminuir a contribuição do metabolismo anaeróbio em intensidades absolutas, podendo «manter-se ou até aumentar a contribuição do metabolismo aeróbio». «Em todo o caso, a diminuição da capacidade de esforço resulta mais da perda da função anaeróbia», acrescenta Francisco Saavedra.

A tipologia do exercício, a frequência, a duração e a intensidade, os aspectos de carácter dietético, as condições de exercitação (altitude, temperatura e humidade), a condição física do atleta e a sua composição muscular em termos de fibras (tipo I e II) são alguns dos factores que condicionam o dispêndio energético. Por isso, o sucesso de qualquer tarefa motora pressupõe que a conversão de energia seja feita de forma eficaz e na razão directa das necessidades energéticas dos músculos esqueléticos envolvidos.
 
 

Um trabalho que cruza o Atlântico
O estudo da bioenergética permite entender como a capacidade para realizar actividades físicas está dependente da conversão energética. «A fisiologia do trabalho muscular e do exercício é, basicamente, uma questão de conversão de energia química em energia mecânica, energia essa que é utilizada pelas miofibrilas para provocar o deslize dos miofilamentos, resultando em acção muscular e produção de força», declara o investigador do CIDESD.

Desde o primeiro trimestre de 2016 
que a equipa de investigação tem procedido a recolhas de dados nos laboratórios da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e no ActiveGym, no Pavilhão dos Desportos do Município de Vila Real e em academias de crossfit localizadas quer em Portugal, quer no Brasil. Mais de uma centena de atletas já participaram no estudo “Bioenergética da Actividade Física: do Adulto ao Idoso, estando analisada mais de uma dezena de exercícios. «O nosso trabalho é inovador no que respeita ao método aplicado e o volume de dados é igualmente de realçar», refere Francisco Saavedra.

Se, por um lado, a determinação do custo energético no exercício resistido tem sido alvo de estudos, por outro, a produção científica «ainda é escassa» no que se refere à quantificação em exercícios isolados. Já a caracterização bioenergética da modalidade do crossfit é «praticamente inexistente na literatura» e os primeiros resultados obtidos no âmbito deste estudo apontam «para uma produção de energia anaeróbia muito elevada, mesmo em esforços com duração superior a cinco minutos». «A existência de muitas provas com diferente exigência mecânica fará variar o espectro de resultados, mas tudo indica que mesmo nas provas supostamente aeróbias, a solicitação anaeróbia é elevada», conclui Francisco Saavedra.
Atleta a executar um exercício resistido para comparação do custo energético em combinação com o exercício em ciclo ergómetro, sendo o custo energético calculado pela adição da componente aeróbia e anaeróbia
Atleta a executar um exercício de pernas para cálculo do custo energético, sendo esse custo estimado pela adição da componente aeróbia  (VO2) e anaeróbia (equivalente energético do lactato e cinética de VO2 pós-esforço)
Atleta de crossfit a realizar um benchmark de 30 arranques para caracterização do esforço: a resposta aeróbia foi avaliada pela frequência cardíaca e resposta anaeróbia foi estimada pelo lactato no sangue pós-esforço
Equipa de Investigação
Coordenado por Francisco Saavedra, o Plano de Actividades Colectivo “Bioenergética da Actividade Física: do Adulto ao Idoso” é desenvolvido por investigadores da
UTAD (Helder Miguel Fernandes, José Vilaça Alves, Nelson Sousa, Nuno Garrido, Victor Machado Reis e Vítor Rodrigues), do ISMAI (Alberto Carvalho Alves, Elisa Marques e João Viana), da UE (Armando Raimundo, Catarina Pereira, José Marmeleira, José Parraça e Pablo Carús) e da UBI (Mário Marques).
Definição de Bioenergética
Estudo dos vários processos químicos que tornam possível a vida celular do ponto de vista energético. Procura, entre outros parâmetros, explicar os principais processos químicos que decorrem na célula e analisar as suas implicações fisiológicas, principalmente em relação ao modo como esses processos se enquadram no conceito global de homeostasia (estado de equilíbrio no organismo relativo a diversas funções e composições químicas dos líquidos e tecidos).
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O CIDESD apoiou a submissão de duas candidaturas ao UEFA Research Grant Programme 2017«FOOTEDUCA: Profiling the career of Portuguese Football Players to implement an educational support program – A two-step project» e «The role of sociocultural environment in shaping creative behaviour in football players». 
Promovido anualmente pela UEFA junto das instituições de Ensino Superior de cada país membro, este programa apoia o desenvolvimento de investigação científica que seja relevante e que contribua de forma significativa para a melhoria do futebol. Os resultados das candidaturas vão ser conhecidos em Junho.

Os investigadores do CreativeLab receberam, a 8 de Abril, a visita do professor Daniel Memmert, director do Instituto de Investigação em Cognição e Desportos Coletivos/Raquetes na Universidade de Colónia [Alemanha].
Sendo mundialmente reconhecido como uma referência no treino da criatividade, Daniel Memmert proporcionou-lhes excelentes momentos de partilha e troca de conhecimento entre domínios científicos. Em paralelo, foram estabelecidas parcerias para futuros projectos onde a criatividade é o ingrediente-chave.





«Football School», o projecto apresentado recentemente pela Federação Portuguesa de Futebolconta com a participação dos investigadores do CIDESD Pedro Esteves e Bruno Travassos. "Optimização da tomada de decisão do árbitro" é a linha de investigação que vai centrar-se «na análise do padrão de fixação visual do árbitro de futebol que, por sua vez, permitirá identificar as pistas informacionais que sustentam as suas decisões ao longo do jogo». «Em termos operacionais, será possível gerar informação de suporte para a optimização do processo decisional», explica o investigador Pedro Esteves.  
O envolvimento no projecto «Football School» é «mais uma possibilidade de investigação tendo por base problemas e preocupações fundamentais para o desempenho dos árbitros de futebol, assegurando um dos objectivos do CIDESD: a transferência de conhecimento científico para a prática». «Este projecto assume-se ainda como mais um exemplo de boas práticas na investigação e cooperação institucional no âmbito das instituições de Ensino Superior que constituem o CIDESD, nomeadamente o IPG e a UBI», sublinha Bruno Travassos.
"Exercício na Doença Renal Crónica: impacto na imunidade e na inflamação" foi o tema que o investigador João Viana levou ao Encontro Renal, que se realizou entre 6 e 8 de Abril, em Vilamoura. 
«Comparativamente com os sedentários, os indivíduos fisicamente activos apresentam menor risco de infecção, particularmente do trato respiratório. Este facto tem sido atribuído, pelo menos em parte, aos efeitos benéficos que a prática regular de exercício físico de intensidade moderada confere a certos aspectos da função imunológica», referiu o investigador. 
Além dos estudos observacionais que «demonstram, consistentemente, uma associação inversa entre os marcadores inflamatórios e a actividade física» e dos estudos de intervenção que «têm demonstrado que a prática regular de exercício de intensidade moderada reduz a inflamação», João Viana reiterou que «hoje é amplamente aceite que o exercício reduz o risco de doenças metabólicas e cardiovasculares, porque é 
um anti-inflamatório competente».
 







 


O II Congresso de Futebol do Instituto Politécnico da Guarda contou com a presença da investigadora Carolina Vila-Chã, que se encarregou da comunicação "Treino Funcional no Futebol". «A apresentação centrou-se na actual tendência para a aplicação de metodologias comummente associadas ao  treino funcional na preparação dos jogadores de futebol. Procurei que tivesse um cariz mais prático, contrapondo as vantagens, os princípios metodológicos e as limitações deste tipo de metodologias de treino", explicou a investigadora do CIDESD.
Realizado a 25 de Abril, o II Congresso de Futebol contou com a participação de cerca de 200 participantes, destacando-se a presença de treinadores, dirigentes desportivos e estudantes.
 O CIDESD está a trabalhar no projecto do Instituto Nacional de Educación Física de Cataluña intitulado «La creatividad motriz como fenómeno complejo: criterios para su desarrollo». Por isso, na última semana de Abril, o investigador Bruno Gonçalves cruzou a fronteira para participar numa recolha de dados junto da equipa de futebol do Real Zaragoza. Neste trabalho, estiveram também envolvidos os investigadores espanhóis Carlota Torrentes, Albert Canton e Ángel Ric.
«Com recurso à tecnologia de GPS, realizámos recolhas em diversos cenários de treino e em diferentes escalões de idade, que, posteriormente, vamos analisar», explicou o investigador do CIDESD.

 
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Eventos:

European Congress of Endocrinology | Lisboa - Portugal | 20-23 Maio
XII Congresso Internacional de Futebol | Maia - Portugal | 22-24 Maio

World Conference on Science and Soccer | Rennes - França | 31 Maio - 2 Junho
International Symposium Exercise in Chronic Kidney Disease | Maia - Portugal | 1 Junho

6º Congresso de Treinadores de Língua Portuguesa | Gondomar - Portugal | 3-4 Junho
North American Society for the Psychology of Sport and Physical Activity Conference | San Diego - EUA | 4-7 Junho

European College of Sport Science | Dublin- Irlanda | 4-7 Julho
International Conference on Childhood Obesity | Lisboa - Portugal | 5-8 Julho

Seminário Internacional de Educação Física, Saúde e Lazer | Guarda - Portugal | 10-12 Julho
Congresso Mundial de Psicologia do Desporto | Sevilha - Espanha | 10-14 Julho
International Conference on Kinesiology and Exercise Sciences | Atenas - Grécia | 24-27 Julho
Congrès de l’Association des Chercheurs en Activités Physiques et Sportives | Dijon - França | 29-31 Outubro
Jornadas da Sociedade Portuguesa de Psicologia do Desporto | Bragança - Portugal | 3-4 Novembro

Conference on Motor Skill Acquisition | Jyväskylä - Finlândia | 15-17 Novembro

 
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