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Newsletter #19
Maio 2018
Eficácia do exercício como coadjuvante terapêutico na depressão clínica
 
A depressão afecta mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, o que corresponde a 4,4% da população mundial, sendo mais prevalente no sexo feminino (5,1%) do que no masculino (3,6%). Estes são números da Organização Mundial da Saúde (OMS), que classifica ainda a depressão como o maior contribuinte da incapacidade para a actividade produtiva, registando, em 2015, 7,5% de todos os anos vividos com incapacidade. 

Face a esta realidade, as investigadoras
Lara Carneiro e Paula Mota procuraram perceber se o efeito do exercício funciona como coadjuvante terapêutico no tratamento de doentes com perturbações depressivas.
 
«As perturbações psiquiátricas, nomeadamente as perturbações de ansiedade e as perturbações de humor, representam um fardo considerável para a sociedade portuguesa, devido ao elevado custo imposto ao
Sistema Nacional de Saúde e elevadas perdas de produtividade, mesmo quando sujeitas ao tratamento com farmacoterapia e intervenções psicológicas», refere a investigadora Lara Carneiro.

Nos últimos anos, tem-se verificado uma intensa actividade editorial (maioritariamente em língua inglesa) que destaca o exercício como ferramenta terapêutica (monoterapia ou coadjuvante) e os benefícios psicofisiológicos inerentes. «Hoje, face às evidências científicas, é possível declarar que não subsistem dúvidas acerca do potencial do exercício. Contudo, no contexto nacional, urge construir uma ponte entre a teoria e a prática. Para isso, julgo necessário reflectir nos contributos que os profissionais treinados especificamente em exercício e saúde podem dar e quais os caminhos a trilhar», destaca.
 
No âmbito do Plano de Actividades Colectivo "Physical activity and exercise for active and healthy ageing", uma equipa de investigação interdisciplinar, constituída pelas investigadores do
CIDESD Lara Carneiro e Paula Mota, José Vasconcelos Raposo (UTAD), Maria Augusta Vieira-Coelho (Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental, CHSJ) e por António Mendonça da Fonseca (CIFI2D), conduziu um estudo para analisar quais os mecanismos psicofisiológicos explicativos do efeito do exercício na depressão.



Este estudo envolveu 26 utentes com diagnóstico de depressão e foi acompanhado pelo gabinete de investigação da Clínica de Psiquiatria e Saúde Mental e do Centro Hospitalar de São João. «Os doentes foram seleccionados de acordo com critérios clínicos nomeadamente o diagnóstico de depressão. Para isto, contamos com os psiquiatras que fazem as consultas e que encaminharam os doentes para este projecto», conta Lara Carneiro.

Com uma duração de 16 semanas, este plano de exercício físico moderado em doentes com perturbação depressiva melhorou os sintomas de depressão e a ansiedade e aumentou a auto-estima e a capacidade funcional do doentes. A investigadora do CIDESD considera que «esta parceria interdisciplinar foi uma mais-valia na medida em que foi disponibilizado aos utentes da CPSM métodos complementares e inovadores para o tratamento da depressão com efeitos positivos inegáveis». 
 
Por outro lado, a eficácia do exercício nas desordens depressivas é classicamente atribuída ao seu impacto nos mecanismos neurobiológicos. Daí que a equipa de investigação tenha conduzido outro estudo para clarificar os mecanismos moleculares que podem estar envolvidos nos efeitos antidepressivos do exercício. «A enzima catecol-O-metilttransferase (COMT) é responsável pela inactivação das catecolaminas e uma das principais modeladoras dos níveis dopaminérgicos. Por isso, foi analisada, antes e após a intervenção do exercício, em 14 pacientes diagnosticados com depressão clínica», lembra. 

Os resultados demonstraram que no grupo de intervenção (sujeito a medicação antidepressiva e exercício), os níveis periféricos de COMT diminuíram significativamente, comparativamente ao grupo de controlo (só com medicação antidepressiva). Contudo, é necessário «replicar» estes dados, por ter sido utilizada uma amostra reduzida.

«Tendo por base os mecanismos biológicos explicativos do efeito do exercício, foram analisados os níveis de monoaminas e cortisol, antes e após o exercício», conta a investigadora. Concluiu-se que o exercício quando combinado com a farmacoterapia não induz alterações nos biomarcadores analisados.
Lara Carneiro refere que esta investigação veio demonstrar que «o exercício é uma terapia adjuvante para pacientes com depressão clínica, que os efeitos positivos não estão limitados à diminuição dos sintomas depressivos, mas os mecanismos psicológicos podem mediar essa relação». «Existem inúmeros mecanismos biológicos potenciais que explicam ou que estão associados aos efeitos antidepressivos. No entanto, os resultados deverão ser explorados no futuro, dado o estudo incluir uma amostra reduzida», acrescenta.
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| Publicações |
«Gender differences in anthropometric parameters and technical performance of youth soccer players», in Sport Sciences for Health

«Clustering performances in the NBA according to players’ anthropometric attributes and playing experience», in Journal of Sports Sciences 

«
Optimal control of the customer dynamics based on marketing policy», in Applied Mathematics and Computation

«
Fiber Optical Sensors in Biomechanics», in Opto-mechanical Fiber Optic Sensors: Research, Technology, and Applications in Mechanical Sensing 
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