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*Por Jader Pires.

No mercado de peixes de Tóquio, o Tsukiji, há um vendedor de algas. Estou falando de um armazém colossal atacadista metropolitano de peixes e frutos do mar com mais de sessenta mil funcionários que fazem movimentar aproximadamente seiscentos bilhões de ienes todos os anos. Turistas do mundo todinho vão até esse local para perambular por seus corredores atrás de atuns de trezentos quilos e todo o tipo de coisa que venha do mar.

Não à toa, lojas vendem todo e qualquer tipo de bugiganga que atraia os olhares excursionistas. Vendinhas coloridas e movimentadas, cubículos fervilhantes de um entra e sai de línguas e souvenirs.

Não é o que acontece com o vendedor de algas. Lá, no meio do populacho, contrastando com a balbúrdia e gritaria, há esta lojinha com porta e bordas verdes. Dentro, algas para vender. Somente algas. Tudo no interior é feito em madeira clara, das prateleiras ao balcão, do chão ao teto e luminárias. Ao redor, folhas de algas para serem vendidas.

Ele só vende algas. Cogumelos não. Peixe não. “Algas. Eu vendo algas”, ele afirma com uma voz grave, quase abissal, que saía de sua boca e tomava espaço ao rés do chão. Sua tranquilidade aquietava também quem quer que adentrasse em seu pequeno empório de ervas marinhas, a base da culinária japonesa. Quadradas, retangulares, em tiras unitárias e as vendia também a granel. Dava para se fazer, com elas, sushis de todos os tamanhos e temakis muito bem enrolados, onigiris ornamentados com todo o esmero. É sentar-se com ele e começar a ouvir sobre os tipos de folhas, Nori (as que conhecemos comumente), Kelp, Hijiki, Kombu. Com as pernas cruzadas e um sorriso de esquilo que exibia seus dentes grandes e desnivelados, ele costura informações sobre a crocância, densidade, fiação, desenvolve mil esquemas de arranjos, consistências, utilidades para seus preciosos produtos.

Na loja do vendedor de algas não há brinquedinhos para se comprar e nem comida para se experimentar, é um estabelecimento da mais gostosa simplicidade, toda verdejante ela e amadeirada.

Perguntei à ele porque não vendia também peixes, inteiros e em tiras, não sei, talvez uns espetinhos de polvo como todos fazem. “Ah, eu gostaria muito de saber dos peixes e seus cortes, dos bichos todos e o que fazer com eles. Mas eu só sei lidar com algas. Só algas. Então eu fico com elas”. 

Ele vai no que sabe fazer bem.

Pessoal, olá! Jader falando.

Vou deixar essa parte da newsletter bem express essa semana por motivos de férias. 

Depois de dias incríveis em Tóquio, começamos nova jornada agora em Quioto.

E daí, o que acontece? Os rolês aqui ficaram mais distantes (muitos templos budistas e xintoístas, montanhas, mato, natureza, interior) e chego bem mais cansado à noite. 

Mas não menos realizados. Fiquei bem feliz em escrever a história do vendedor de algas. Espero que vocês se divirtam lendo tanto quanto me diverti botando isso no "papel. Digam-me, como sempre, tudo sem esconder nada no jader@jaderpires.com.br. Vamos falar.


Se eu morrer hoje, digam ao Johnny Depp que eu o amo

"Eu só queria dizer pra vocês que nesse momento a sra. minha mãe está indo ao Rock In Rio para ver o terceiro show do Johnny Depp (e o segundo do Alice Cooper) da vida dela. Aos 65 anos, ela já segurou na mão do sujeito em um show intimista em Los Angeles. Sabe-se lá o que vai acontecer no Rio."  

Peguei isso lá no Facebook do amigo Ismael dos Anjos. A mãe dele, a dona Rosa Maria, é fã do galã de Hollywood e essa foi a delicinha da semana para mim.

O Ismael está contando histórias junto com fotos lindas em seu Instagram. Vão até lá dar uma olhada. Não dói e provavelmente vocês voltarão mais vezes.
 

Zipper Down (Eagles of Death Metal) 

Creme.  


Sete anos separam o primeiro disco desse novo Zipper Down. Para quem não se ligou na foto, o Eagles é a banda em que o Josh Homme, do Queens of the Stone Age toca bateria (não só).  

Stoner pegado e escrachado. Bote pra tocar, chacoalhe bastante o esqueleto com essa belezinha de disco e volta pra me contar.

 

Fotos mil do Japão 

Tô fazendo de quilo.

Só colar lá no meu Instagram

 
"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

Você pode comprar meu livro direto no site da editora ou nas livrarias!
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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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