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*Por Jader Pires.

Foi do dia pra noite. Quando vi, a água já formava um caminho não natural entre os vincos do piso da cozinha. A nascente brotava da parte baixa da cozinha e nem eu nem minha mulher teríamos tempo para observar. Como eu precisava sair mais cedo, deixei com ela o trabalho de combinar a visita de um encanador.

A correria não deu trégua e as atividades importantes do trabalho afogaram o ocorrido. Esqueci que tinha vazamento em casa. À tarde, uma mensagem no celular: "Gato, marquei inspeção nos canos da cozinha pro fim do dia. O moço vai aparecer lá em casa depois das 17h. Esteja lá para atendê-lo".


Nada mais justo. Organizo minhas coisas para sair com tempo de abrir a porta para o profissional. De casa eu poderia terminar as coisas do trabalho. Na volta para casa, no busão, fui pensando em como seria importante eu entender mais das coisas da casa, e como nós todos deveríamos aprender conhecimentos básicos de alvenaria e carpintaria, de mecânica e elétrica. Nada que nos transformasse em profissionais, que acabasse com diversas entidades de classe, que colocássemos como herói o papai urso do desenho animado que prefere fazer todos os reparos de casa por si só em vez de gastar à toa com aproveitadores. Não. Vim pensando no interessante fato de ter aproximação com esses assuntos, não ser passado pra trás, mas também, de se manter mais próximo na relação com esses trabalhos manuais, com esses feitos fundamentais nas nossas vidas que deixamos de lado porque, bem, a moda agora é a tecnologia.

Eu queria ser amigo do cara que iria chegar em casa pra ver meu encanamento.

Mal coloquei a chave no pendurador e a campainha tocou. Era o bróder dos canos. Abri o portão do prédio e pedi pra subir. E daí que entrou em minha morada um senhor baixinho, seus quarenta e tantos. Um sotaque forte da mooca, parecia um italianinho que vive com a nona em alguma vila, sorridente e de vozinha fina. Ele usava um macacão jeans bem azul, com uma camiseta vermelha por baixo. Uma boina também carmim vermelha e botas completavam o figurino.

Eu queria MUITO ser amigo desse cara. Ele me cumprimentou, disse que era da empresa tal e que ligaram pra marcar visita. Eu ascendi que sim com a cabeça e meus olhinhos provavelmente estavam brilhando. Mostrei à ele a cozinha e o moço prontamente entrou debaixo da pia. Só daí que minha boca resolveu falar: “desculpa perguntar, mas qual é o seu nome?”

“Eu me chamo Luiggi”.

Que puta decepção.
Pessoal, olá! Jader falando.

Antes de mais nada, não teve Meio-Fio na sexta passada por uma junção de fim de carnaval e pequenas tretas pessoais que tomaram todo o meu tempo na quinta e sexta
.

Obrigado aos que se preocuparam e me mandaram e-mail perguntando da falta dessa newsletter. Bem contente de ver que ela está entrando bem no cotidiano dos assinantes (estamos quase em 3k, hein).

Seguindo, estou quase matando os procedimentos pra lançar a ferramenta de patronagem e apadrinhamento da Meio-Fio. Tá faltando só eu fechar a melhor maneira de você poderem se tornar patrões e padrinhos.

Além do Patreon, estou vendo outros formatos que facilitem a inscrição, pra que mais pessoas possam contribuir com facilidade.

E o livro! Vai sair. Algumas semanas bem de bode me atrasaram o rolê, mas a mão tá coçando pra sentar e pegar o ritmo de novo. A história tá voltando a me atrair. Vai ficar delicioso, vocês vão ver.

 

O Regresso (Alejandro González Iñárritu)

Cinema, cinema, cinema! 

Nessa semana eu fiz uma singela crítica ao filme O Regresso, com Leonardo DiCaprio e Tom Hardy.

"Escrever a crítica sobre o filme O Regresso me foi complexo. Eu poderia ser bem sucinto e empurrar o "gostei" pra agradar a empolgação dos leitores ou o "não gostei" pra criar essa curiosidade e fomentar a discussão. Mas eu tenho apontamentos diversos quanto à história, cinema em si e, principalmente intenção, que foi o que mais me pegou nesse filme, ponto comum da minha relação com o Alejandro González Iñárritu, diretor do filme."
 
 


A apresentação arrasadora de Kendrick Lamar no Grammy

Por favor, parem por cinco minutos para ver essa apresentação incrível do artista mais interessante dos últimos tempos.

Depois disso, a quem interessar possa, temos o texto do Alexandre Matias "Kendrick Lamar mostra para que servem premiações como o Grammy", sobre o evento ser cada vez menos interessante como prêmio e muito mais importante como momento importante para grandes músicos mostrarem efetivamente a que vieram. E o Kendrick Lamar fez isso de maneira potente e brilhante.

 


Lady Gaga faz tributo a David Bowie

E como o Grammy é para mostrar coisa foda, a Lady Gaga fez uma apresentação bem foda em homenagem à David Bowie.

Chorei. 


 
"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

Você pode comprar meu livro direto no site da editora ou nas livrarias!
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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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