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*Por Jader Pires.

Eu estava preparando um texto sobre as imprevisibilidades da vida, pequeninos contratempos que a vida nos impõe em prol de uma atenção mais apurada, um cuidado com o nosso entorno cotidiano, pílulas de lição de moral pra que saibamos, sempre, quem é que tá no comando. Essas coisinhas de se deitar com os olhos bem onde alcança a luzinha do videocassete (tá certo, do roteador da Internet pros de menos idade) ou então chegar em casa muito cansado, cansado demais, e perceber que o controle da tevê ficou no rack no exato momento em que se senta no sofá tão confortável.

Era pra ser uma cronicazinha desse calibre, bonitinha de ler, gostosinha de matar numa sexta-feira.

Mas aí fui falar com um grande amigo, esse que vocês já conhecem do texto do bêbado (sim, a história fantástica tem como base um rolê dele) e perguntar sobre algumas outras pequenas peripécias que ganhamos no dia a dia.

“Cara, no inverno…”, e me arrumei na cadeira pra aguçar os sentidos, porque se o camarada cita uma estação do ano logo de saída, é porque deve ser algo bem estruturado em sua cabeça e, logo, deve ter importância maior que o normal, “...às vezes você percebe que está sem papel e tá frio demais pra ir direto pro banho e entro num dilema grande de ter encarar o chuveiro gelado e limpar tudo de uma vez, mas passar uma friaca danada, ou ir com a bunda me sujando mais e mais a cada passo até o banheiro do bróder que mora comigo. E aí a gente fica nessa, né, bunda suja, bunda gelada, suja ou gelada, suja gelada? Manja?”

Não tinha mais como seguir com minha escrita. Não dava pra eu levar aquelas bobeirazinhas adiante. Não naquele momento. Eu pensando em probleminhas enquanto pessoas passam por reais impasses, distúrbios, dificuldades.

Imaginei o tamanho do trauma de acordar no começo da madrugada com um cara pelado de bunda suja invadindo o seu banheiro.

Que atrocidade.

(De Manuel Bandeira)

Quando eu tinha seis anos

Ganhei um porquinho-da-índia. 

Que dor de coração me dava

Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!

Levava ele pra sala

Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos

Ele não gostava:

Queria era estar debaixo do fogão

Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas...

O meu porquinho-da-índia foi minha primeira namorada.

 

O Quarto de Jack (e um ótimo filme que faz o essencial)

Cinema, cinema, cinema! Essa semana eu escrevi uma singela crítica do filme O Quarto de Jack, com Brie Larson, Jacob Tremblay, Joan Allen e William H. Macy.


"E que filme mais bonitinho esse O Quarto de Jack, uma ótima aula de fazer cinema. É bom a gente se lembrar do famoso "mostre, não conte" na tela grande. 

O cinema é visual. Não podemos nos esquecer disso. Parece óbvia a afirmação, mas o diretor irlandês Lenny Abrahamson soube muito bem contar as coisas com imagens e não diálogos para elucidar nossas dúvidas."
 

O argumento moralista não resolve o problema das drogas. Nem problema algum (Igor Natusch)

"Não está no usuário a gênese do problema: está na maneira equivocada como abordamos a predileção da nossa sociedade por usar alteradores de consciência. Ao invés de exigir do mundo que se comporte adequadamente, talvez seja mais útil pensar em como fazer esse comportamento gerar o mínimo de problemas - e isso não passa, definitivamente, por lições de moral." 


Não precisa falar juito mais, né.

Apenas leiam com atenção e tranquilidade o artigo escrito pelo Igor sobre legalizar. 

 

A arte de Stephen Curry (The New ork Times)

Para quem não conhece, Stephen Curry é armador do Golden State Warriors, atual campeão da NBA, campeonato de Basquete lá dos Estados Unidos.  


E o garoto é um monstrinho. MVP da última temporada (jogador mais valioso do rolê) está apenas mudando a maneira com que a NBA joga basquete.

No New York Times, profissionais do Balé falam sobre a beleza dos movimentos do garoto Curry. Ficou bonito demais. 

 
"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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