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*Por Jader Pires

Veja só você que graça que é o detalhe. É, para mim, incrível a satisfação de estar no país em que tudo funciona. Um exemplo assaz interessante para essa nossa conversa foi ir ao metrô de Tóquio. Não tanto pela sua funcionalidade ou a fama de ser por demais pontual, e é de fato isso tudo do jeitinho que nos contam, mas por um detalhe que me apeteceu o cocoruto.

O adentro do portão quatro da estação de Omotesando, área nobre da megalópole japonesa, é feito por uma escada. Até aí normal, precisamos todos descer para ir ao metrô, seja aqui nesse canto do mundo no aí no Brasil ou Agentina ou Inglaterra. Enfim, deu pra sacar o óbvio. Nessa descida, avisos de que a mão é pela esquerda sempre. Quem desce, o faz pela esquerda. Quem sobe, o faz pela canhotinha da escada. Certo? Certo. Como conhecemos bem a disciplina deles, os japoneses sobem e descem pelo lado ordenado.

E aí o detalhe. Chove por esses dias aqui na capital e, na escada, o lado esquerdo estava todo molhado, a metade exata de cada um dos degraus. A metade direita para quem desce, ou seja, o lado de quem sobe, estava sequinho de tudo.
Deus, e não é que eles fazem direitinho?


As pessoas que vinham da rua molhavam o pedaço que lhes era pertinente. Quem subia não molhava nada pois estavam secos. Que precisão, amigos!

Balela. Das maiores.

A história é completamente verdadeira e realmente me espantou ver que as pessoas descem pela esquerda e sobem pela esquerda. Isso acontece nas calçadas também. Pero que, claro, nem tudo é céu e nem tudo é chão. Quando desembarquei mais lá no centro, era hora de subir a escadaria que me levaria para as ruas. O primeiro a galgar os degraus foi um cara de, sei lá, quarenta e pouquinhos. Pela direita. Na parte molhada e com os pés sequinhos. O canto dos que deveriam descer, entrar, embarcar outros nipônicos. O cabra dos olhos puxados foi pela contra-mão, bicho.

Atrapalhou o tráfego? Não atrapalhou. Atrapalhou o público? Atrapalhou não. Atrapalhou o sábado? Não senhor. Ele seguiu seu caminho e o Japão permaneceu sendo o país onde tudo funciona. Inclusive a burladinha de regra.

Fica menos distante. Da realidade e da gente.

Pessoal, olá! Jader falando.

O corpo não aguenta e a mente fica bem cansada. Uma coisa bem interessante que fiquei matutando depois dessa viagem grande (como comentei na última meio-fio, foram 14 horas de São Paulo até Doha, no Catar. Umas cinco horinhas no aeroporto e mais 11 horas até Tóquio) foi o lance de o corpo não aguentar tanto tempo em movimento.  


O chacoalhar do avião, o rolar das esteiras na conexão, mais avião, o trem que vai de Narita até Tóquio, o metrô que me trouxe até o bairro onde estou hospedado. Cara, foi uma coisa de louco quando tomei banho e finalmente parei. Como meus músculos necessitavam estar parados. Como meus ouvidos necessitavam de silêncio. Tirando o natural de qualquer voo (nariz zoado com o ar seco em abundância, o estômago levemente sensível, alguns ficam com os ouvidos tampados, sei lá quais mais infinidades de desconfortos), teve mesmo uma exigência corporal e mental de simplesmente parar.  

Curioso, porque só elevei isso a uma potência grande, mas é algo que acontece constantemente nas idas e vindas do trabalho, talvez, no fim de um dia de trampo pesado, dia com muita chuva em São Paulo. Reparem nessa urgência de parar.

E parem. Só um pouco.

Obs: a foto lá do título da crônica dessa semana tem no meu Instagram, mais uma porrada de fotos chinfrim que colocarei nas próximas semanas.

Babylon by Gus Vol. II - "No princípio era o verbo" (Black Alien)

Onze anos separam o incrível e obrigatório Babylon by Gus Vol. I, do Black Alien, com esse segundo disco.

Não tem como dar errado.


Vários beat bom, a costura precisa de rimas simplíssimas, quase bobas, com sacadas impressionantes. E ainda tem Céu, Edi Rock, Kamau, Luiz Melodia, DJ Nutz. 

Sempre precioso.

 


Transmutação (BNegão e os Seletores de Frequência)

E que alegria me dá indicar Black Alien e BNegão na mesma semana!

Este é outro que não erra. Ele e seus Seletores de Frequência, baita instrumental quente, vários balanços, dançante para cacete, metais, graves. E o BNegão metendo várias verdades, uma atrás da outra.

Vai sem erro.

 


Black Alien e BNegão (vem conhecer os dois)

Provavelmente todo mundo já sabe, mas sempre bom lembrar que esses dois gente finas foram tocaram juntos no Planet Hemp e hoje seguem suas carreiras solo.

O Black Alien, além do disco citado acima, tem o cremoso Babylon by Gus, Vol I - O ano o Macaco.

Já o BNegão tem os lindos Enxugando Gelo (2003) e poderoso Sintoniza Lá (2012). Ô galerinha pra demorar a fazer disco. Mas tá aí. Curtam sem dó nem piedade.
 
"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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