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*Por Jader Pires.

No caminho, achou alguém. Já estava há dias percorrendo o acesso que supostamente terminaria no santuário. Precisava ter com o santo, lhe fazer uma proposta. Passava os dias jornadeando com a cabeça a pensar na singeleza do dito “a caminhada é longa, mas os passos são pequeninos”, conselho que a amiga lhe passou quando ela saiu em afobação com a cara para a estrada. “Vai com calma, mulher”, ouviu quando a distância já quase não permitia a visão uma da outra.

Na direção que o peito ordenava, ponderava como poderia se aprochegar para pedir o que queria ao beato. Da última flor do lácio só sabia as palavras mais miudinhas, as mais ágeis para dizer o que se quer falar. Não tinha lá instrução, sapiência, o domínio da linguagem para mimosear o sacerdócio com a circunspecção dos cultos. Levava consigo só a certeza de querer fazer promessa de se dedicar às boas causas e mais nada.


No caminho, o chão era tão vermelho e o céu estava num amarelo tão profundo que destacava no olhar a árvore solitária de tronco negro feito fim de noite, umas folhas roxas como o luto. Debaixo dela, a mulher decidida a selar seu destino. Magra, descalça, com os olhos cinzas e o nó da corda nas mãos, ela parou de fazer o que estava fazendo quando ela parou de andar para onde estava andando. Ambas congeladas em suas obras, conectadas apenas pela falta de mundo em volta delas.

A mão chegou a esboçar movimento demonstrando ajuda, mas nada disse e nada fez. Conseguia reparar nela a violência, o cansaço da guerra. Tocá-la não seria ajuda, mas outro abuso, mais um excesso. Ela também conhecia esse cansaço, o esgotamento. As duas, sem trocar nomes ou relatos de experiências pessoais, ambas tinham o conhecimento da história uma da outra, passaram pelos mesmos entraves mudando, no máximo, uma peça ou duas. Não precisavam verbalizar. Todas enfrentam a mesma fatalidade. E cada uma, a sua maneira, estava em busca de solução.

De lá da estrada, sem avançar um passo na direção da árvore, ela disse: “volta, dona. Morrer não vale a pena não”. E seguiu.

E a outra foi atrás.
Pessoal, olá! Jader falando.

O alívio de ver cada coisa em seu lugar. Finalmente, depois de uns dois meses pensando, estruturando, cogitando as possibilidades, tudo no ar, as ferramentas de apadrinhamento e patronagem da Meio-Fio estão rodando e indo de vento em popa
.

Já temos alguns patrões e muitos padrinhos, além de uma galera que optou bem pelo depósito direto com conta corrente. Tô com dezenas de e-mails da galera que optou pela transação bancária e já respondi vários. Os que eu ainda não respondi, segurem a emoção que jajá tô matando todas essas conversas.

Agradeço demais aos que já estão apoiando a Meio-Fio. Se você ainda não tá envolvido, cola no rolê, ajude a newsletter a seguir e aumentar seus projetos de e-book, vídeos e áudio com os contos e crônicas do escritor aqui.

Seguindo a vida, agora é hora de voltar a prestar mais atenção ao romance que era pra estar pronto, pelo menos escrito uma primeira versão.

Vai sair, vai sair demais. É só a questão de eu retomar o hábito, puxar essa disciplina de volta. Meio do capítulo 3, de 9 até o momento. Matando, o ca. 4 tá na ponta da língua. Daí eu acho que deslancho. Continuem me desejando sorte e me chamem pra bater um papo no jader@jaderpires.com.br.

 

Projeto Humanos (Segunda Temporada)

E se fizéssemos narrativas de histórias reais, de pessoas reais? Se iniciativas como o Humans of New York e o SP invisível já estão fincando bem essa ideia na escrita, agora temos a oportunidade de amplificar isso com o áudio. É esse o intuito do Projeto Humanos, encabeçado pelo Ivan Mizanzuk do podcast, sempre ótimo, Anticast.  

Eu jea contei do projeto há tempos e agora começou, enfim, a segunda temporada que promete ser bem foda. Deem a devida atenção, vai valer a pena.

"Para a segunda temporada do Projeto Humanos, Ivan Mizanzuk buscará expor algumas histórias acerca dos recentes conflitos no Oriente Médio e como eles tocaram (ou tocam) a vida de brasileiros, refugiados e tantos outros atores sociais deste complexo cenário. Neste primeiro episódio, apresentamos a primeira parte da história de Paula Zahra, muçulmana de Curitiba-PR que no ano passado foi aos jornais noticiar acerca de agressões que sofre diariamente nas ruas da cidade. E enquanto aprendemos sobre o islamismo através da sua história, nos perguntamos: seria a mulher muçulmana de fato tão diferente de outras no Ocidente?" 
 
 


Jeff Buckley (You and I)

Ah, que grande perda a sua, Jeff Buckley.

Promessa maior dos anos 90, depois do debute do lindo álbum Grace, o músico morreu depois de ir nadar em um rio e ter seu corpo encontrado uma semana depois, levado pela correnteza. 

Das milhares de gravações que ele deixou, You And I é uma delícia em voz e guitarra crua, com covers de Bob Dylan, The Smiths e Led Zeppelin. Que voz, amigos. E pensar que, quando novo, ele tinha medo de ficar à sombra de seu pai, o igualmente brilhante Tim Buckley.

 


Quão reais são os filmes baseados em histórias reais

Saca só o infográfico que o Nexo Jornal publicou sobre a veracidade das histórias contaras nos filmes baseados em fatos reais:

"Infográfico detalha sucessos recentes cena-a-cena. ‘A grande aposta’ e ‘Spotlight’ são bem fiéis. ‘O Jogo da Imitação’ nem tanto.

[...] Para que ele fosse feito, cada longa-metragem foi analisado cena-a-cena. É possível ver a pesquisa original aqui. Os responsáveis pelo levantamento desmembraram o roteiro e compararam às evidências conhecidas (livro, biografias e relatos, por exemplo) sobre a história na qual cada filme se baseou". 


 
"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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