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*Por Jader Pires.

A gente já foi mais colado. Não que estivéssemos juntos o tempo todo, mas quando dava pra nos encontrarmos, ah, que alegria que era. Parecia mesmo que éramos feito, você e eu, um para o outro, que nem fôssemos, eu e você, personagens de algum daqueles romances açucarados de fundo de banca.

Destinados, a gente rumava juntos e era um tal sai de baixo. Sangue, suor e forró para gringo nenhum botar defeito, Eu te levava juntinho comigo para conhecer as coisas do mundo, você me levava em tudo que era canto pra gente se divertir a valer.

Que parceria. Nós dois.

Mas eram outros tempos aqueles, quase inocentes. Como diria o Chico, quem te viu e quem te vê. Hoje eu vou sambar na pista e você vai de galeria. Mudou, você. Andou “se valorizando”, como dizem hoje por aí. Pra mim, tu ficou foi esnobe. Mal apareceu nesses últimos tempos, quase não te vejo e já foi embora. 

Justo eu, que sempre te tratei bem. Mas deixa estar, a gente volta a se trombar nessas brincadeiras da vida. Eu ainda hei de lembrar dos bons e dos maus momentos.

Eu vou te amar pra sempre, dólar.

Um beijo,

Jader.

Pessoal, olá! Jader falando.

Ainda em Kyoto eu fui conhecer um banho público japonês. Trata-se de um espaço utilizado para, claro, tomar banho, mas também para sentar dentro de piscinas rasas de água bem quente, uns ofurôs tamanho família.


A gente entra no banho público, tira toda a roupa e, antes de mais nada, é preciso se lavar todo. Mas como? Há, em uma das paredes, uma série de chuveiros na altura, sei lá, das nossas coxas. Então você pega um banquinho e um pote e vai lá. Senta-se, se molha, passa lá o sabonete e faça o que sabe fazer. Tome um banho sentado. O chuveiro se movimenta e, embaixo, tem duas torneiras com água quente e fria.

Mandou bala, é hora de sentar peladão com os véio japa. Quietos, nenhum deles ligou para o fato de eu ter tatuagem (alguns lugares não se pode nem entrar sem cobrí-las, mas não foi o caso). Eles se banham, sentam com as toalhas na cabeça (você tem que entrar com sua toalha e não tem onde colocá-las), vão para a sauna, voltam pro banho e vazam. Simples assim. 

Banho foda, água foda, experiência foda.

Alguns deles batem papo, um bigodudo chegou a oferecer seu sabonete líquido para um outro gaijin (estrangeiro) que entrou desavisado sem nada pra se ensaboar.

Toda a santa paz que a nudez masculina pode oferecer.
 

The Dead Weather (Dodge and Burn)

Rock!  


Sujeira! 

Como é bom dar play num disco com essa capacidade de proporcionar sonzeira e ficar contente. O Dead Weather não fez feio em nenhum dos dois discos anteriores e com esse mantém a finesse de fazer coisa boa.

Silêncio entre as guitarradas, mudanças de ritmo, levadas que proporcionam aquela catarse solitária com os fones no ouvido.

 

A Casa das Belas Adormecidas (Yasunari Kawabata)

Já que estamos ainda falando de Japão, um clássico daqui vem bem a calhar.  


O Kawabata é Nobel de literatura e esse livro serviu de inspiração para o mestre Gabriel García Márquez escrever o seu Memórias de Minhas Putas Tristes, versão caribenha dessa belezinha nipônica.

A obra original, essa do Kawabata, é uma delícia sensorial. A escola da qual ele acabou sendo classificado buscava justamente esse deleite dos outros sentidos na leitura, uma maneira de imergir ainda mais o leitor nas sensações da história contada.

E o Kawabata fazia isso com extrema qualidade.

 

Eu tô beijando pato

Cola aqui pra ver.

 
"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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