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*Por Jader Pires.

Depois de dias trocando mensagens, decidiram se encontrar num bar que conheciam em comum. Tudo normal, aplicativo de encontros, bateu os amores, a conversa não foi boba, riram um pouco e na tarde seguinte deu vontade de mais.

Daí, sentados, ele aliviou as pernas que na primeira meia hora estavam travadas nos pés da cadeira. Pudera, o que não faltava era anseio em que resultava em conversas caladas, desconforto. “A gente bota fé demais”, ele disse rindo. “Ou trabalha de menos”, ela refutou como quem enfrenta só pra ver onde vai dar, cruza os braços mas faz bico que não segura o riso. Nessa hora ele tranquilizou as panturrilhas e se aproximou, com cotovelos em cima da mesa e tudo.


Nos falantes tocava o disco novo do Frank Ocean, bem na troca da guitarra solitária de Ivy pro piano de Pink + White. Eles tinham trocado esses sons, foi o que fez verem similaridade o suficiente pra sair do Tinder e entrarem logo no Whatsapp. Tava rolando e eles sabiam. E é ótimo quando rola e a gente sabe. Esquece o jogo, a postura, a batata da perna se liberta e desliza procurando a outra debaixo da mesa.

“Nossa, já tá uma delícia assim e eu nem sei nada sobre você ainda”, ele soltou.

“Que enigmática eu sou, não? Uma delicia misteriosa. É como se você me colocasse na boca, como se dançasse com a língua me descobrindo tentando adivinhas os ingredientes. Se leva canela na minha receita, se leva nozes. Salivando e me curtindo sem saber direito como eu posso ser tão gostosa assim”. Ela fala tudo isso arrebitando o narizinho. Aprontando. Resta a ele a mão na testa, a incredulidade de quem escuta tudo esfregando a língua contra o céu da boca.

Esfomeados, trocaram sabores a noite toda.

 
Pessoal, olá! Jader falando.

Eu vou sair de férias agora em setembro. Yay!

Então essa semana (quem sabe a que vem) deve ser a última Meio-Fio antes de uma pequena paralisação que farei para poder descansar e dar uma renovada na escrita e nos pensamentos.

Os que estão aqui desde o comecinho sabem que fui ao Japão em 2015 e escrevi a newsletter, ainda uma bebê, de lá do outro lado do mundo. E foi incrível! Mas acontece que, sim, me tomou bom tempo pra fazer as edições entre viagens. Como este ano, de novo, não estarei em casa, prefiro usar o mês para deixar novas ideias chegarem, absorver novas histórias, deixar o corpo se soltar.

E voltar, enfim, renovado e cheio de vontade de sentar o dedo em contos e crônicas! Se essa vontade bater de lá, de onde eu estiver, certamente vocês receberão surpresas em seus e-mails, mas, por hora, ficamos combinados então de voltar depois do dia das crianças lá em outubro. Meu e-mail permanecerá aberto pra quem sentir saudades pra gente bater um papo. Me chama lá no jader@jaderpires.com.br que a gente se fala.

Um beijo e comam legumes.

 

Frank Ocean (Blonde)

Depois de um inverno de quatro anos, longo, demorado e quase órfão pós o discaço Channel Orange, eis que na última semana Frank Ocean chegou chegando com seu Blonde, que vale demais ouvir.

É cremoso e escorre pelos falantes, aquela guitarrinha manhosa e a voz de um Ocean te seduzindo o tempo todo. Tem participação, pra ajudar só um pouquinho, de gente como David Bowie, Kanye West, Jamie xx, Kendrick Lamar, Beyoncé, the Beatles, André 3000, Brian Eno e Pharrell.

Como se não bastasse, depois de virar esse álbum, ele ainda lançou um visual álbum chamado Endless. Tem Frank Ocean pra mais quatro anos. Mentira, pode lançar mais coisa, amigo. 
 
 

Como as séries de TV podem fazer o preconceito avançar ou regredir (Nexo Jornal)

Claro, ter mais contato, mesmo que o mais inicial e rasteiro possível, com a diversidade, já é de grande valia.

De acordo com o Nexo, os estudiosos chamam de Contato Parassocial. "Grande parte do sucesso de uma obra de ficção se deve à empatia criada pelo espectador com seus personagens. Algumas vezes, quando esse processo funciona bem, a relação com um personagem beira o real - e, quando esse personagem faz parte de alguma minoria, a conexão afetiva criada tende a reduzir os preconceitos do espectador relativos àquele grupo".

Lê lá
 
 


Tudo o que eu tenho medo que possa acontecer se eu convidar alguém novo para tomar café (The New Yorker)

A tradução é porca e rápida da melhor crônica que eu li essa semana, a "Everything I am afraid might happen if I ask new acquaintances to get coffee, da The New Yorker. O amigo Pedro Jansen definiu muito bem:

"Eu tenho um apreço todo especial por esses humores que parecem tragédias, por piadas que parecem histórias de terror, por crônicas engraçadas que te fazem chorar. eis um exemplo". 

Lê e me conta.

 

"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

Você pode comprar meu livro direto no site da editora ou nas livrarias!
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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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