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*Por Jader Pires.

Tudo parecia tão certo, correto. Estávamos ali, exercitando a prática de inventar assuntos para perpetuar aquele estado a quatro: eu e ela, ela e eu.

E ela era tão mais quieta que eu...


Suas palavras deslizavam com uma serenidade de dar inveja. As frases iam sendo executadas com primor, alisando o ar com graça. Em contrapartida, eu despejava pensamentos impetuosos em uma tentativa de demonstrar o recente apego e uma inocente virtuose. Essa vitalidade se dava também como medida de combate diante da austeridade natural de quem acabou de me conhecer. Jogava com força para quebrar de início as barreiras de uma menina interessante.

Mal sabia ela que o que mais me atraiu fora a sua amabilidade no lidar com as coisas e não os delicados traços de sua feição. Não que ela precisasse necessariamente saber disso, ou melhor, não que carecesse ter esse conhecimento de modo direto, por alguma afirmação minha que pudesse fazer confundir sinceridade com hostilidade. Bastava um detalhe a mais, em meus atos ou na atenção dela. Alguma minúcia que indicasse: “ok, não é só mais uma pegação”. Eu nunca seria hipócrita de negar o incontestável, mas não seria eu a expô-lo quando o que dava graça na experiência dela daquela realidade era o jogo.

Mas o imediatismo em seu discurso foi tomando mais liberalidade e passei a ganhar maior desenvoltura, uma conversa mais apetecível, cheia de miudezas e afirmações mais aprazíveis. Enfiei delicadezas, um sorriso, dois elogios. Até que minha soltura culminou em um gracejo considerado… demais.

“O resumo desse encontro é mais que o meu rosto”, arremessou sem dó a mocinha que voltava a se retrair. Direto no estômago. Palavras medrosas me escorregavam goela abaixo e, na cabeça, só pensamentos monossilábicos se formavam. “Mas. Só que. É…”. Claro que, na minha idade, essas sensações ambientam por fração de segundo e a continuidade do papo se apresenta como o melhor contra-ataque.

Apanhei-a com explicações igualmente sinceras para deixar atestada minha curiosidade de saber mais daquela garota que ia se mostrando mais atraente. Só me intrigou o fato de minha própria atitude ter se voltado contra mim de modo tão torto. Pensei estar mostrando curiosidades maiores que as do encanto por aquele rosto lindo e acabei levando um rebote instintivo. Nada fora da normalidade, mas eu jurava que aqui batia um coração...

 
Pessoal, olá! Jader falando.

Tá frio por aqui em São Paulo.

Pra cacete, gente.

E eu queria um pouco de calor daí e saber como tá o clima onde vocês tá lendo a Meio-Fio neste exato momento.

Tá quentinho? Tá solzinho?

Vem me contar no jader@jaderpires.com.br. Quero saber de calores.

 

"Nunca Vi Ele Bêbado": uma Entrevista com o Editor de Charles Bukowski

"Independente de sua opinião sobre Bukowski – se você acha que ele era um niilista sem talento, obcecado por prostitutas e álcool, a voz de uma geração de trabalhadores revoltados com a indústria no pós-guerra ou a combinação de ambos – sua importância na história da literatura de Los Angeles é inegável.

Alguns anos atrás, quando trabalhávamos em uma edição da revista dedicada a Hollywood chamada The Showbiz Issue, decidi entrar em contato com o editor de longa data de Bukowski, John Martin. Queria tentar deixar o folclore de lado e descobrir como era o “poeta laureado de becos e bares sombrios” em seu cotidiano."

Esse cara tirou o Bukowski de seu emprego nos correios (já com 54 anos) e botou o velho safado na literatura mundial. E daí a Vice publicou essa conversa
 
 

O que são as 'maras', gangues que colocam a América Central no topo do ranking de homicídios mundial

O Nexo Jornal fez uma reportagem massa sobre o provável maior problema dos países da América Central: a violência das gangues criadas nos Estados Unidos.

"Grupos que surgiram nos Estados Unidos na década de 1980 se espalharam pelo continente e travam uma disputa que faz da região líder mundial em homicídios". 
 
 


O hacker ucraniano que se tornou a arma mais importante do FBI

A Wired fez um baita trabalho foda e publicou este artigo contando a história do Maksym Igor Popov, hacker ucraniano de 20 anos que se entregou pro governo americano e trabalhou para os federais contra crimes cibernéticos vindos do Leste Europeu.

O grande lance é que ele nunca largou, de fato, seu passado. 

Tá creme.

 

"As treze histórias presentes no livro estão repletas do cotidiano, por onde desfilam personagens das mais variadas origens: um vendedor de crack, um político, um casal de idosos e um mágico de circo. As angústias e alegrias experimentadas por todos esses personagens – e que também são nossas – são expressas em situações fortes e incisivas, mas por vezes bem-humoradas, que aproximam o leitor da trama, sem deixar de fora detalhe algum.

Em Ela prefere as uvas verdes, entramos em contato com personagens em momentos surpreendentes de suas vidas. Momentos em que as perdas e os encontros trazem profundas transformações."

Você pode comprar meu livro direto no site da editora ou nas livrarias!
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A Meio-Fio é uma publicação semanal do escritor Jader Pires com a missão de levar literatura em doses homeopáticas e uma pequena curadoria de produtos culturais e textos encontrados em publicações nacionais e estrangeiras. Se você gostou destas sentimentalidades, recomende a Meio-Fio para um amigo.

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